Teve início na manhã de hoje (01/08), o Seminário “A Mulher Negra nos espaços de luta e resistência por Direitos: histórias, conquistas e desafios”. O evento realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação, Gênero e Diversidade – NEGêDI faz parte de uma série de atividades realizadas durante todo o mês de julho em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha e Dia Nacional de Teresa de Benguela (25 de julho).

A mesa de abertura contou com a presença da organizadora e membro do NEGêDI, a professora Socorro Silva; a vereadora da cidade do Natal, Divaneide Basílio, única mulher negra ocupando uma cadeira na Câmara; a representante do mandado da deputada federal Natália Bonavides, Lorena Cordeiro; e da diretora de Ensino do IFRN Campus Natal-Central, Luzimar Barbalho.

Para Socorro Silva, vivemos um momento histórico desafiador, no qual é preciso que a mulher negra ocupe seu espaço, nas instituições, na política, nos movimentos sociais e na sociedade, se libertando das amarras que as prendem em espaços de pouca representatividade. A professora ressaltou, que mesmo em uma instituição como o IFRN, ainda existe carência de espaços que possam fomentar o debate sobre o papel da mulher negra. “Precisamos desses espaços que permitam a participação das mulheres negras e possibilitem a construção de uma educação pública que considere e discuta a diversidade étnico-racial”, explicou a professora.

De acordo com a diretora de Ensino do CNat, Luzimar Barbalho, precisamos que essas mulheres que estão sendo constantemente invisibilizadas sejam ouvidas. Segundo a educadora, esse apagamento da história do país tem custado caro. “Quando ouvimos jovens exaltando a Ditadura Militar, se identificando com regimes de exceção, fica claro as consequências de apagar a história. Vivemos um momento da negação dos diretos humanos e de um acirramento ao desrespeito a mulher, por isso essa temática é tão pertinente, tão justa, e necessária para a nossa luta e resistência”, comentou a diretora.

Segundo a vereadora Divaneide Basílio, a história das mulheres negras é negada e constantemente colocada para debaixo do tapete. “Nos últimos tempos tenho exercitado ouvir a outras mulheres, ouvir as dores, as histórias e assim exercitar a empatia, a sonoridade para tentar construir outras histórias menos sofridas. Nós mulheres, e mais as mulheres negras, passamos sempre por um acúmulo de situações de sofrimento, de dores, e precisamos transformar isso em resistência e em construção para entrar em espaços que até então nós não tínhamos acesso. Precisamos dar cor a esses lugares de poder”, salientou a parlamentar.

Após o fim das falas de abertura, teve início a primeira mesa do evento com as palestrantes, Nádia Farias – professora do Campus do IFRN Apodi;  Fátima Garcia – professora da UFRN; e Suély Gleide Pereira de Souza – membro do NEABI/CNAT.

A professora Nádia Farias iniciou sua fala questionando onde estão os negros e as negras da nossa escola, quem são os heróis do povo negro, qual a história de vida das mulheres que pariram esse país, onde estão os filhos dos estupros, qual a história de Tereza de Benguela? “Todas essas mulheres que pariram esse país, elas não aparecem nas escolas, elas não estão nos espaços de poder, elas não estão no material didático que nós utilizamos nas nossas salas de aula. Realizamos recentemente uma pesquisa em nove coleções de material didático da disciplina de Física, 98% das imagens nesses livros são de homens, somente 2% são de mulheres e mesmo assim, as imagens de mulheres estão sempre expostas em situação de fragilidade, enquanto os homens são representados em posições de poder e superioridade”, apontou a educadora.

O evento seguiu com a fala da professora Fátima Garcia, que falou que o currículo escolar nos forma e nos deforma, pode ser um espaço de opressão, assim como pode ser um espaço de empoderamento. “Nossas escolas são um caldeirão, onde temas como esse que debatemos hoje estão em ebulição e em luta por espaço, é preciso demarcar nosso espaço”, comentou a pesquisadora.

O Seminário “A Mulher Negra nos espaços de luta e resistência por Direitos: histórias, conquistas e desafios” conta com apoio do SINASEFE Natal e segue com programação até amanhã (02/08). A expectativa dos organizadores é que o evento seja um espaço para debates, reflexão e promoção da cultura e da arte das mulheres.

Na programação de amanhã estão previstas várias rodas de conversas, oficinas e apresentações culturais. A primeira Roda de Diálogo terá como tema: Educação e as relações étnicos-raciais – Um desafio permanente em busca de Igualdade. Nas oficinas serão discutidos o Lugar de Fala e Feminismo Negro, saúde da mulher negra, racismo institucional, a representação da mulher negra na ciência, entre outros temas.