1º Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE: três mesas de debates e atividade cultural marcam o segundo dia do evento

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Neste sábado (22/08) tivemos o 2º dia de atividades do 1º Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE.

O evento, realizado por meio da nossa Coordenação de Formação Política e Relações Sindicais, em São Paulo-SP, no Centro Paula Souza, começou na sexta-feira (21/08) e tem atividades previstas até amanhã (23/08).

O tema do 1º Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE é “A resistência como origem das lutas sindicais no Brasil”.

Credenciamento

A 1ª edição do Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE finalizou o seu credenciamento com um total de 208 sindicalizados(as) inscritos(as) de 35 seções sindicais diferentes, de todas as cinco macrorregiões do país.

Mesa – “Internacionalismo, luta de classes e sindicalismo na educação”

A primeira mesa do dia aconteceu pela manhã e teve como título “Internacionalismo, luta de classes e sindicalismo na educação”. A mediação foi feita por David Coelho (secretário-adjunto de Formação Política e Relações Sindicais) e Hérlon Rosa (sindicalizado da seção sindical Litoral-SC), tendo como palestrantes Fábio Bosco e Cristiane Banhol.

Fábio Bosco

Fábio Bosco faz parte da Frente Palestina de São Paulo e do Setorial Internacional da CSP-Conlutas.

Em sua fala, ele aprofundou o contexto da guerra entre EUA/Israel contra o Irã, que produziu o bloqueio do Estreito de Ormuz e, com isso, um impacto na economia global. Israel, para ele, é o grande perdedor dessa guerra, mas não está morto e segue armado até os dentes. Em virtude dessa guerra, a questão Palestina foi recolocada no debate internacional e hoje a maioria dos países ocidentais simpatiza mais com a causa Palestina do que com a versão israelense para justificar o conflito.

Na visão de Fábio, a atual ordem mundial (que veio após a Segunda Guerra Mundial) morreu, mas uma nova ordem mundial ainda não se estabeleceu.

Cristiane Banhol

Cristiane Banhol é professora de educação básica nas Redes Estadual e Municipal de São Paulo. É integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Conselheira Estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da Regional Lapa, pelo coletivo “Reviravolta na Educação”.

Para Cristiane, o contexto atual do mundo em crise traz consigo guerras e resistência. Como educadora, ela focou na exposição de que quando se aprofunda a barbárie capitalista, se aprofundam os ataques à educação, mostrando como dado o fato de que 93 milhões de crianças estão fora da escola em todo o mundo. E a distribuição dessas 93 milhões de crianças fora da escola se dá pelo fator de crise: 80% delas se concentram em países marcados por conflitos, contextos de guerras e de crise socioeconômica.

Mesa – “A resistência como origem das lutas sindicais no Brasil”

A segunda mesa do dia aconteceu no início da tarde e teve como título “A resistência como origem das lutas sindicais no Brasil”. A mediação foi feita por Cristina Tapuya (secretária de Formação Política e Relações Sindicais) e Josenilda de Souza Silva (sindicalizada da seção sindical Januária-MG), tendo como palestrantes Kátia Tupinambá e Helena Silvestre.

Kátia Tupinambá

Kátia Tupinambá é professora de sociologia no campus Itapecuru Mirim-MA do Instituto Federal do Maranhão (IFMA). Indígena Tupinambá. Coorganizadora do 2º Encontro de Indígenas em Contexto Urbano do Nordeste. Militante feminista e da luta neurodivergente. Ex-secretária geral do SINASEFE (gestão 2024-2026).

Ela contextualizou o trabalho indígena e a resistência dos povos originários em Pindorama – região na qual se encontra o Brasil e que, antes da invasão/colonização portuguesa em 1500, já abrigava vida de sociedades caçadoras-coletoras há 14,5 mil anos, citando o Povo de Luzia, os Sambaquis e os Tupis-Guaranis como exemplo.

Kátia explicou que onde há cultura, há trabalho; defendendo que os Sambaquis significam pra nossa sociedade o mesmo que as pirâmides significam para o Egito, mas lamentando que não há valorização da vida humana e da sua história em nosso território antes de 1500.

A invasão/colonização representou um “encontro de mundos inconciliáveis” e marcou o “começo da história a ser escrita pelo invasor”, com lutas e resistências de indígenas contra a escravização e o etnocídio das missões jesuíticas – lembrando, ainda, a história das “guerras justas”, as guerras decretadas pela Coroa Portuguesa para conter povos indígenas que se recusassem a ser dominados.

Helena Silvestre

Helena Silvestre é militante com trajetória de atuação em movimentos de favelas, periferias e ocupações por moradia. Desde 2017 dedica-se a auto organização de mulheres faveladas e periféricas como educadora popular na Escola Feminista Abya Yala. É escritora e editora da revista Amazonas no Brasil – articulação de mulheres periféricas de países latino-americanos. É também psicanalista e estudante de Saúde Pública.

Na visão da educadora popular, uma parte da esquerda tradicional abandonou a luta das favelas no final dos anos 1980 e, com isso, outras organizações começaram a tomar esse espaço, como igrejas neopentencostais e o crime organizado. “Quando um grupo político sai de um território, ele não fica vazio, mas começa a ser ocupado por outras forças políticas”, defendeu.

Helena explicou que a luta dos negros sempre existiu e que se a esquerda não enxergar a população negra, não vai conseguir fazer alianças com ela, “pois não se faz aliança com aquilo que você não enxerga”, disse.

Ela defendeu que as lutas sindicais atuais são a linhagem da resistência do nosso povo e que a origem do movimento sindical brasileiro se aproxima muito daquilo que foi um quilombo – local onde pessoas exploradas vivem em um apoio mútuo para sobreviver.

Mesa – “Histórias das mulheres na luta sindical na Educação Federal: memória, resistência e organização política”

A terceira mesa do dia aconteceu no final da tarde e teve como título “Histórias das mulheres na luta sindical na Educação Federal: memória, resistência e organização política”. A mediação foi feita por Rafaella Florencio (sindicalizada do Sindsifce-CE) e Daniela Zanotti (sindicalizada do Sintifrj-RJ), tendo como palestrantes Maíra Martins e Elenira Vilela.

Maíra Martins

Maíra Martins é técnica-administrativa do IFSP desde 2011. Esteve na Coordenação Estadual da seção do IFSP-SP por dois mandatos consecutivos (2019-2021 e 2021-2023) e foi eleita novamente para a gestão 2026-2027. Foi secretária de Políticas para as Mulheres do SINASEFE na gestão 2022-2024.

Ela começou falando que, para as mulheres, ocupar espaços sindicais do SINASEFE é muito recente e também é desafiador. No sindicalismo de modo geral, a figura feminina está muito subrepresentada. Mas as mulheres sempre resistiram e sempre foram a base que sustentou o trabalho sindical, já que o trabalho – defendeu Maíra – pode ser dividido como trabalho produtivo, de reprodução social e político.

Antes de existir um trabalhador no local de trabalho (ou no sindicato), alguém precisou produzir as condições para que ele pudesse chegar lá – sustentou Maíra, mostrando como a maior parte do trabalho de reprodução social foi imposto às mulheres.

Ela também exaltou a existência do Sinasefinho, que surgiu nos moldes atuais em 2022, fruto da luta das mulheres do SINASEFE, e se consolidou como uma importante ferramenta de apoio à política sindical.

Por fim, Maíra expôs as etapas da violência política de gênero que mulheres são vítimas no movimento sindical: interrupção, deslegitimação, infantilização, silenciamento, ataques pessoais, cobrança moral, apropriação de ideias e xingamentos.

Elenira Vilela

Elenira Vilela é professora de matemática há mais de 30 anos e militante desde 1988, quando iniciou sua participação no movimento estudantil. Foi dirigente da seção sindical IFSC-SC e do SINASEFE, tendo inclusive sido eleita coordenadora geral de ambas as entidades. Atualmente, é integrante do Conselho Superior do IFSC e da Direção Nacional da Intersindical – Central da Classe trabalhadora.

Em sua palestra, Elenira mostrou como o capitalistmo promove uma ideologia que rouba US$ 10,8 trilhões das mulheres por ano, em todo planeta, ao tratar o trabalho de reprodução social como uma “vocação” das mulheres ao invés de algo que seja da responsabilidade de todas as pessoas. “A opressão dos homens proprietários sobre as mulheres talvez seja a forma de opressão mais antiga que existe”, definiu.

Na sua fala, Elenira mostrou como as mulheres (desde aquelas que eram chamadas de “bruxas”) não obedecem, não aceitam e enfrentam a opressão.

Para ela, os homens precisam mudar sua postura e deixar de serem engrenagens do sistema exploratório em que vivemos.

Atividade cultural

Encerrando o dia, uma atividade cultural foi realizada pela noite, no restaurante palestino Al Janiah, com roda de samba e o lançamento do livro “Sindicalismo e Sinasefe-SP”.

Imagens

Veja abaixo as fotos deste 2º dia do 1º Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE que temos disponíveis em nossa galeria:

Manhã

Tarde

Noite

Sinasefinho

Programação do último dia

23 de agosto Domingo – 3º dia
09:00 – 11:00 Mesa
“Trabalho de base, formação política e fortalecimento sindical”
Palestrantes: Francisco Freitas e Lígia Mendes
11:00 – 12:00 Construção coletiva de propostas e agenda nacional de mobilização

Objetivo do evento

O objetivo do 1º Encontro Nacional de Formação Política e Sindical do SINASEFE é fortalecer a formação política da categoria, promover o debate sobre os desafios atuais do movimento sindical e contribuir para a construção coletiva de estratégias de organização e mobilização das seções sindicais.

Com informações do SINASEFE Nacional

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