Membros da Diretoria Executiva do SINASEFE Natal e do movimento estudantil do IFRN se reuniram remotamente na última sexta-feira (03/07), para discutir o ensino remoto e os desafios no contexto da pandemia no RN.

O Instituto está com aulas e calendário suspensos desde 18 de março por causa da pandemia do coronavírus. No Ministério da Educação, muitos movimentos estão se conformando para o retorno às aulas na modalidade presencial, mista e à distância. Tivemos, nas últimas semanas, a divulgação de protocolos de biossegurança para a volta às aulas pelo MEC, CONIF e pelo Comitê Covid-19 do IFRN, o Programa de Internet gratuita disponibilizado pelo MEC e várias definições pelo retorno às aulas nos Institutos Federais de Educação Ciência e Tecnologia e nas Universidades no Brasil. Em contrapartida, contamos também com demandas pela paralisação por parte das instituições públicas federais de educação que vem realizando o ensino remoto desde o início da pandemia.

Num cenário de verdadeiro caos na educação brasileira, todas as definições quanto ao ensino remoto se dão sem o estabelecimento de diálogos com o segmento estudantil. Sem contar com os desmandos do governo federal e seus propósitos genocidas ao lidar com a pandemia, acrescente-se a ausência de quem comande o Ministério da Educação. No IFRN, se não existe diálogo por parte da gestão com os estudantes, muito menos ocorreu com os professores e os técnico-administrativos.

Considerando a inexistência de diálogo sobre o tema entre a gestão, os servidores e os estudantes, a diretoria do SINASEFE Natal abre um espaço de discussão sobre a temática do ensino remoto na instituição com o objetivo de escutar e compreender as condições dos estudantes diante do desafio de um possível retorno. Quais suas principais preocupações e o que necessitam do IFRN no presente contexto de avanço da COVID 19 no Rio Grande do Norte.

Importante registrar que, no dia 15 de junho, em reunião ampliada com os servidores, discutimos o trabalho do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 do IFRN com o servidor Thiago Antônio Raulino do Nascimento, que preside o referido comitê. Isto se deu pela necessidade de ouvirmos o Comitê, exatamente pela falta de esclarecimentos por parte da gestão.

Este Comitê foi criado no IFRN desde o início da pandemia, ainda na gestão anterior, e tem pensado como a instituição seguiria funcionando durante esse período de crise sanitária. Apesar do contexto de intervenção e da indisposição da gestão golpista em discutir e apresentar alternativas para lidar com a pandemia do coronavírus, o Comitê da COVID-19 no IFRN elaborou um “Plano de Contingência do IFRN” para o retorno das aulas presenciais, sem data prevista. Traduz-se numa tentativa de possibilitar que a retomada aconteça da maneira mais segura possível para estudantes e servidores.

Além do Comitê Central, foi estabelecido que cada Campus deve criar suas próprias comissões para deliberar, com base no Plano, como enfrentar esse período. A partir de iniciativas do próprio Comitê e de reuniões com o CONSUP e os gestores de cada campus, foi decidido pela necessidade do plano ser incorporado nas ações emergenciais da Pró-reitoria de ensino e da Reitoria, pois sem a gestão central, nada poderá ser implementado nos campi.

Não obstante o trabalho de excelência realizado pelo Comitê Covid-19 do IFRN, ainda não existe discussão dessa temática por parte da gestão interventora. Perduram a falta de esclarecimentos e lacunas nos encaminhamentos das ações, bem como a execução do Plano e as interfaces com a gestão do currículo no pós-pandemia. Inclusive, duas enquetes estão sendo realizadas, uma capitaneada pelos gestores dos campi, que busca saber qual a situação tecnológica e ambientais dos alunos, e outra organizada pelo comitê, que busca averiguar a situação de saúde de alunos e servidores.

No diálogo com os estudantes, ficou evidenciado o pedido de diálogos aberto entre a gestão e representantes estudantis dos grêmios, REGIF, UESP e demais representatividades. Os alunos querem participar das decisões, querem ser ouvidos nesta questão central da vida deles. Para os estudantes Matheus Felipe (UESP) e Felipe Garcia (REGIF), “é importante permitir que os alunos participem das discussões e também contribuam com a elaboração de qualquer ação para retomada das aulas presenciais ou remotas”. Ressaltaram, ainda, que é imprescindível o debate com toda a comunidade dos campi. Somente assim, as particularidades de cada campus serão consideradas.

Os estudantes destacaram também que a condição das escolas da Secretaria Estadual de Educação é desastrosa, pois definiram aulas remotas sem a menor preparação e sem verificar as reais condições dos estudantes. Segundo o representante da UESP, para os alunos da rede estadual, não houve diálogo e não há proveito nessa iniciativa. Ressaltam uma lista de dificuldades e o posicionamento contrário a este recurso. Como enfrentamento, estão numa campanha nas redes sociais para não deixar nenhum aluno para trás e tem como ponto central o questionamento: ensino remoto para quem?

A coordenadora geral do SINASEFE, Nadja Costa, lembrou que é importante buscar alternativas que mantenham a qualidade do ensino, que permitam o acesso de todos, mas que, principalmente, garanta a tranquilidade do processo para os servidores. Se faz urgente formação sobre ensino remoto, tendo em vista não ser algo comum nas práticas vivenciadas por todos. Acima de tudo, é urgente planejar ações com condições dignas de trabalho, possibilitando segurança e bem-estar psicológico e emocional para todos e todas neste contexto de pandemia e que está longe de chegarmos ao pós-pandemia.

De acordo com Maria Raimunda Matos Prado e Tânia Costa, da Equipe pedagógica do Campus Natal-Central, os comitês locais incluem a representação discente, porém a composição nos campi é flexível, podendo ser incluído outros segmentos, como os pais, podendo ainda os interessados contatarem o grupo gestor do campi e solicitar essa participação.

A coordenadora geral do SINASEFE, Emanuelly Bezerra, lembrou que a participação dos estudantes nos comitês locais é fundamental e que é importante que os alunos discutam uma posição coletiva com seus pares. Emanuelly também ressaltou a necessidade da participação dos servidores terceirizados nos comitês locais, pois será o grupo mais sujeito à contaminação.

Ao final do encontro, a professora Nadja Costa reforçou que o SINASEFE Natal é contrário à retomada das aulas presenciais sem a segurança de que a vida de servidores e de estudantes esteja devidamente resguardada, bem como é contrário à retomada das aulas de modo remoto sem que haja garantias do atendimento a todos os estudantes, mantendo-se, sobretudo, os princípios da inclusão e da qualidade social do ensino oferecido na instituição. Além disso, com intuito da atenção e defesa das condições de trabalho, solicitará ao Comitê COVID-19 a participação de representante do SINASEFE Natal neste coletivo.

O grupo deliberou que, incluindo a seção Mossoró, manterá as reuniões quinzenais com servidores e estudantes para discutirem a retomada das aulas no IFRN. O próximo encontro ficou marcado para o dia 17 de julho.

Participaram da reunião as servidoras Nadja Costa, Tânia Costa, Emanuelly Bezerra e Maria Prado e os estudantes Felipe Gleydson, Marcos Alexandre, Matheus Felipe, Adriane Moreira, Guilherme Moreira, Maria Vanessa Ribeiro, Lucas Felipe e Lanny Lorrany.

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