O SINASEFE deu início nessa quinta-feira (09/04) ao 4º Encontro Nacional de Mulheres. O SINASEFE Natal marcou presença na atividade com as servidoras Erivanda Tavares, Izabel Almeida, Monique Oliveira, Socorro Silva, Sônia Moura, Fátima Oliveira, além da funcionária do sindicato Edivânia Santos.
O dia foi iniciado com um vídeo de boas-vindas às centenas de mulheres presentes no evento e com as falas de abertura das representantes de entidades sindicais. Logo após ocorreu a Conferência de abertura “Vivas, livres e plurais, do silêncio à voz: mulheres que educam, lutam e resistem”. Um vídeo com a saudação de Maria da Penha encerrou o dia de atividades. Confira o resumo do primeiro dia da atividade:
Mesa de abertura
A mesa de abertura do evento, na tarde desta quinta (09/04) contou com a presença de dez mulheres, representando o SINASEFE e várias entidades de luta. Além de boas-vindas, saudações às lutadoras, e do profundo rechaço à violência machista, elas ressaltaram a importância da ampliação da participação nos espaços sindicais.
Rita Gil (Seção Sindical afitriã IFPA, CTRB e Ciaba), Andréia Castro (seção sindical IFTO-TO), Diana Lemes (Andes-SN), Dalva Sampaio (Adufpa), Sueli Pinheiro (Siduepa), Joice Siqueira (Sindtifes-PA), Tatiana Oliveira (Sindicato dos Bancários do Pará), Graziele Nayara (SINASEFE), Euza Raquel (SINASEFE) e Flávia Cândida (SINASEFE) falaram neste momento inicial do encontro.
Sofia Paes, egressa do IFPA e mestra de cerimônia Encontro, ressaltou que o evento se pauta na escuta e na construção coletiva. “Este momento é resultado de um caminho que vem sendo trilhado ao longo das edições anteriores, fortalecendo a política para as mulheres do SINASEFE e ampliando nossas vozes e atuação. Chegamos a esta quarta edição reafirmando nosso compromisso com a luta, com a educação e com a construção de um espaço mais justo e igualitário. Nosso tema: “Mulheres vivas, Livres e plurais: do silêncio à voz, mulheres que educam, lutam e resistem”, expressa quem somos e a força que carregamos. Que este seja um encontro potente, de troca e fortalecimento coletivo”, destacou Sofia.
Rita Gil (representante da Seção Sindical anfitriã IFPA, CTRB e Ciaba) agradeceu a todas as que aceitaram o convite e vieram para o evento em Belém. “Vocês sabem que Belém é apaixonante, né? Vou começar minha fala descrevendo o ‘corpo’ de Belém para vocês entenderem o que é esse estado maravilhoso em que vivemos. Vou citar uma música muito conhecida aqui, que diz assim: Sim, eu tenho a cara do Pará / Garoto do Iapó, não se ponha, sou muito mais eu, sou a razão / Vem plantar mangueira e o cheiro chega do tacacá/ Deu amor, abra a baladeira, na balançadeira, dormindo no mar / Belém, Ver-o-Peso, feira que é verdadeira, do Grão-Pará / Belém, Belém, nina morena, vem ver o meu cantar… Cito isso porque Belém tem uma identidade muito própria e é muito acolhedora. Historicamente, Maranhão e Pará formavam a província do Grão-Pará, e essa música retrata nossa essência. Quero que, ao longo dos quatro dias de evento, vocês usufruam de tudo o que preparamos com muito carinho aqui em nossa cidade” comentou Rita.
Andréia Castro (seção sindical IFTO-TO) apresentou a Comissão Organizadora do 4º Encontro de Mulheres, composta por ela e mais oito mulheres: Euza Raquel de Sousa (Secretária de Políticas para as Mulheres), Fernanda Rosá (seção sindical IFSC-SC), Grazielle Nayara (Secretária-adjunta de Políticas para as Mulheres), Janette Otte (IF Sul-RS), Larissa Leal (Seção sindical IFPA, CTRB e Ciaba-PA), Luciana Sousa (IFPA, CTRB e Ciaba-PA), Márcia Amado (Seção sindical Araguatins-TO) e Rita Gil (Seção sindical IFPA, CTRB e Ciaba-PA).
Diana Lemes (2ª tesoureira da Regional Norte II do Andes-SN) relembrou elementos da história dos encontros de mulheres do SINASEFE, mencionando a parceira histórica com o Andes-SN. Ela expressou orgulho pela identidade das educadoras que “lutam, resistem e educam”, além de reforar a importância da unidade entre as categorias da educação federal na construção de uma agenda plural e combativa.
Dalva de Cássia Sampaio (diretora de formação sindical da da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará – Adufpa) conectou a luta contra o machismo e contra o racismo, ela destacou a disparidade entre a alta filiação feminina e a baixa presença de mulheres em cargos de decisão nas diretorias sindicais. Em um discurso focado no enfrentamento ao racismo institucional e à hostilidade nos ambientes de trabalho, ela reforçou a importância do empoderamento político em ano eleitoral. Ela finalizou sua fala com uma canção adaptada “Cadê meu celular, vou ligar pro disque 100, racismo é crime, denuncie e vem pra luta também!”, entoou Dalva.
Sueli Pinheiro da Silva (coordenação do Sinduepa) focou sua intervenção na transição “do silêncio à voz”, conectada com mote central do Encontro. Ela denunciou os índices alarmantes de feminicídio e a cultura que desqualifica a vida das mulheres, tratando-as como “descartáveis”. Sueli também ressaltou o sacrifício pessoal das militantes que administram suas responsabilidades de cuidado para construir o movimento sindical e convocou as presentes à resistência política em ano eleitoral, defendendo um mundo onde a vida da mulher seja tratada como prioridade e com dignidade.
Joice Siqueira de Souza (coordenadora de combate às opressões do Sindtifes-PA) enfatizou a articulação das mulheres da classe trabalhadora contra retrocessos políticos e ataques aos direitos reprodutivos no Congresso Nacional. Ela conectou a mobilização da categoria e as recentes mobilizações em Brasília à luta mais ampla contra a misoginia, a violência de gênero e o avanço da extrema-direita. Além disso, trouxe uma perspectiva internacionalista ao denunciar ações imperialistas e genocidas, reafirmando o compromisso do movimento com a defesa da vida, da democracia e de políticas de igualdade independentes e combativas.
Tatiana Oliveira, presidenta do Sindicato dos Bancários do Pará denunciou a “política do medo” utilizada pelo sistema para silenciar e controlar o comportamento das mulheres, inclusive dentro do ambiente sindical. Ela enfatizou a necessidade de transgredir essas normas impostas e romper com o silenciamento, defendendo que a igualdade não pode esperar pelos 123 anos previstos em estatísticas internacionais. Sua fala destacou o “custo invisível” da militância: as constantes negociações na vida pessoal e na economia do cuidado, reafirmando que as mulheres têm pressa em serem donas das suas próprias vontades e em construir, no presente, um futuro de autonomia e liberdade.
Graziele Nayara (secretária-adjunta de política para as mulheres) comentou que passados quatro anos do último encontro nacional, a Coordenação de Políticas para as Mulheres do SINASEFE tem dado continuidade ao trabalho já iniciado pelas companheiras que vieram antes nesta história, ela destacou a realização dos Encontros Regionais de Mulheres em 2025.
“Nos últimos meses, estivemos mergulhadas na organização deste evento, pensado com muito carinho e cuidado. Este encontro inicia hoje, mas alguns caminhos nos trouxeram até aqui. Ao longo do ano de 2025, realizamos – pela primeira vez na história do sindicato – cinco Encontros Regionais de Mulheres. Foram 450 mulheres reunidas em diversas cidades: em Guararema (SP), na Escola Nacional Florestan Fernandes; em Urutaí (GO); em Pelotas (RS); em Salvador (BA) e em Palmas (TO). Estes encontros mostram a força motriz que somos, atravessadas por histórias, dores e violências, mas também por muita disposição para a luta. Temos coragem para exigir que nossos espaços institucionais e sindicais deixem de ser locais que nos violentam e nos adoecem”, explicou Graziele.
“Tenho certeza de que o saldo deste 4º Encontro Nacional de Mulheres será muito positivo. Que poderemos nos abraçar, nos afetar e pulsar o anseio por mudanças! É urgente que continuemos sendo mulheres vivas, livres, plurais e educadoras, sobretudo nesta conjuntura que exige o enfrentamento à extrema-direita e a defesa da democracia. É fundamental debatermos nossas condições de trabalho, carreiras e a nossa inserção interseccional nos espaços de poder, além das políticas de cuidado e da produção de conhecimento feminista”, destacou a dirigente.
Euza Raquel fez uma intervenção marcada pelo feminismo negro e pela ideia de ancestralidade, trazendo referências literárias e políticas. “Sozinhas, nós até sonhamos, mas quando estamos juntas, nós vamos longe. Como já foi dito, estamos há quatro anos esperando por este evento porque estamos juntas dando continuidade ao nosso pacto: ‘nós combinamos de não morrer’ “, ressaltou Euza.
“Estamos aqui para discutir pluralidade, paridade e ocupação dos espaços de poder. Estamos aqui para lutar contra o feminicídio e para confirmar a vida. Esta luta não começa agora, pois, como diz a frase histórica: nossos passos vêm de longe! Desejo que possamos ser um espaço de acolhida e construção mútua. Como dizem as nossas mulheres indígenas: ‘não há futuro sem nós’. Combinamos de viver e continuaremos combinadas, mas também vamos combinar de construir o amanhã, e esse amanhã se faz hoje. Gratidão a cada uma de vocês. Vamos juntas seguir em marcha, em luta e vivas!”, defendeu a secretária de política para as mulheres.
Flávia Cândida agradeceu a presença de todas, pedindo que as mulheres de cada região se levantassem para demonstrar a importância das representações de todo Brasil no evento. Flávia pontuou que a diversidade regional não é apenas estatística, mas uma ferramenta para questionar as desigualdades e a violência que atingem as mulheres em cada território brasileiro. “Quando questionamos o regional, estamos falando da violência que nos atravessa de formas diferentes em cada lugar. Não estamos falando de um grupo isolado, estamos falando de uma luta de onde somos as protagonistas, independentemente de onde viemos”, comentou a coordenadora.
A coordenadora geral também pontuou a importância de consolidar e ampliar cada vez mais a participação das mulheres nos espaços sindicais. “Não estamos aqui para passar a vida inteira como minoria em assembleias e plenárias dominadas por homens. Ainda não conseguimos todas as vagas que queremos, mas deixamos um aviso aos companheiros que insistem em manter uma concepção machista: nós não voltaremos para a ‘cozinha’ do movimento sindical”, defendeu Flávia.
Conferência de abertura
A Conferência de Abertura do 4º Encontro Nacional de Mulheres do SINASEFE teve como tema “Vivas, livres e plurais, do silêncio à voz: mulheres que educam, lutam e resistem”. Atividade aconteceu na noite desta quinta-feira (09/04), no sindicato dos Bancários, em Belém-PA.
A mediação foi feita por Janette Otte (docente do IF Sul-RS). Falaram neste momento: Roberta Cassiano (coordenadora geral do Sintifrj), Regina Célia Barbosa (cofundadora, vice-presidenta e diretora pedagógica do Instituto Maria da Penha), Vanuza Cardoso (Quilombo do Abacatal, Ananindeua-PA) e Nilma Bentes (Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará – Cedenpa). Veja mais informações sobre as participantes aqui.
Roberta iniciou sua intervenção propondo uma desestabilização da categoria “mulher”, questionando o que sustenta o uso do “nós” no feminismo contemporâneo. A palestrante argumentou que esse coletivo não pode ser fundado na biologia, em uma suposta essência natural ou em uma história única e homogênea, pois isso apagaria as diferenças de raça, classe, território e identidade de gênero (incluindo mulheres trans e pessoas não binárias). Além disso, criticou a ideia de que a violência sofrida ou uma “sororidade” abstrata e harmônica sejam bases suficientes para a união, defendendo que o dissenso e o reconhecimento das relações de poder entre as próprias mulheres são fundamentais para uma transformação real.
Em um segundo momento, ela alertou para o risco de captura das pautas feministas pela lógica institucional e pelo capital, onde a representatividade e a inclusão podem se tornar apenas performances morais sem mudanças estruturais. Roberta observou que, especialmente em anos eleitorais, a urgência das disputas institucionais pode estreitar a imaginação política e reduzir o alcance das lutas a uma mera gestão de danos.
Por fim, Roberta concluiu que o único “nós” possível é aquele construído a partir de um projeto comum e revolucionário, voltado para o futuro e não apenas para a reação contra a opressão. “É necessário um horizonte socialista, por entender que o sistema que articula capitalismo, racismo e patriarcado não pode ser reformado para garantir dignidade a todas. Assim, a emancipação das mulheres é apresentada não como uma concessão, mas como uma exigência para a vitória de toda a classe explorada”, defendeu.
Regina Célia focou sua fala na dimensão subjetiva da violência, destacando que a mulher agredida chega aos centros de apoio “totalmente esvaziada do ser político”. Ela argumentou que, embora estratégias teóricas de luta sejam fundamentais, a realidade prática do acolhimento lida com “almas em frangalhos” que perderam a voz e a identidade. Para a palestrante, a violência no século 21 atua de forma sutil, em “doses homeopáticas” de abusos psicológicos que minam a resistência feminina e impactam profundamente a juventude que testemunha esse ciclo.
A palestrante mencionou dados para denunciar a invisibilidade do problema, comentando que 70% das vítimas não acreditam no apoio de outras pessoas e sofrem em silêncio por anos. Ela critica a omissão em instituições tradicionais, como forças militares e igrejas, onde o apoio muitas vezes é superficial. Regina também conectou essa realidade à política institucional, apontando que a baixa representatividade feminina no Congresso dificulta a aprovação de leis e orçamentos que garantam apoio real às mulheres e crianças que “gritam por socorro”.
Ela encerrou com uma provocação direta às educadoras e sindicalistas, questionando qual é o alcance do poder delas para transformar essa realidade. Regina reforçou ainda que a Lei Maria da Penha só terá eficácia plena quando houver uma rede de vigilância ativa em todos os espaços sociais.
Vanuza reafirmou a sua identidade como mulher negra e amazônica, fundamentada na ancestralidade e na força do território quilombola. Ela destacou que a sua militância é uma herança das gerações que a antecederam, honrando a memória de mulheres que lutaram para que ela pudesse ocupar espaços de fala e resistência como o encontro sindical.
A palestrante relatou a dura realidade da violência política e das ameaças de morte que a forçaram a viver em abrigos, criticando a naturalização do abuso e a culpabilização da vítima. Vanuza questionou a eficácia das leis atuais e apontou a contradição de uma sociedade que, embora educada por mulheres, continua a reproduzir homens que perpetuam o ódio e o machismo.
Finalizando sua intervenção, ela apelou à transformação da educação e da política por meio de metodologias que envolvam os jovens e os homens na desconstrução da violência. Com o olhar atento ao ano eleitoral, convocou as mulheres à organização coletiva para eleger representantes comprometidas(os) com a proteção real das vidas femininas e com a construção de um futuro plural e seguro.
Nilma Bentes iniciou a sua intervenção de forma descontraída, resgatando a memória de um tempo em que as mulheres viviam distantes do conhecimento do próprio corpo. Ela destacou que processos naturais, como a menstruação, eram cercados de tabus e silêncios, o que impedia uma vivência plena das especificidades femininas. Para Nilma, essa falta de conhecimento não era casual, mas uma forma de controle que distanciava as mulheres da sua própria autonomia e força desde muito cedo.
Ao trazer esse histórico, a palestrante conectou a descoberta do corpo com a descoberta da política. Ela argumentou que, ao romper com esses tabus, as mulheres passaram a organizar-se melhor, entendendo que o cuidado de si e o autoconhecimento são os primeiros passos para a resistência coletiva. Nilma reforçou que, para as mulheres negras e da Amazônia, essa reconexão com o corpo e com o território é ainda mais vital, pois é onde se inscrevem as marcas da luta e da ancestralidade que o sistema tenta apagar.
Por fim, Nilma enfatizou que a organização das mulheres hoje deve ser “rigorosa”, unindo essa consciência individual à luta econômica e sindical. Ela defendeu que o movimento precisa de ser capaz de acolher as diversidades e as transformações históricas, garantindo que as novas gerações não herdem os mesmos silêncios do passado. A sua fala foi um convite para que as mulheres continuem a transformar o conhecimento de si em poder político, ocupando espaços de decisão com a propriedade de quem conhece a sua própria história e as necessidades do seu povo.
Após as palestras, dezenas de participantes, de várias regiões brasileiras, também apresentaram suas contribuições ao tema e assistiram um vídeo de saudação enviado por Maria da Penha.
Com o tema “Vivas, livres e plurais, do silêncio à voz: mulheres que educam, lutam e resistem”, o encontro segue até o domingo (12/04), no Sindicato dos Bancários, em Belém-PA.
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Com informações do SINASEFE Nacional

































































